O campo lamacento gela-me todo o corpo, a água repassa-me pelas solas das botas e o buraco que escavámos por debaixo do Sherman para nos abrigar da chuva encontra-se totalmente alagado.
Os primeiros raios de luz irrompem pela floresta, mas a chuva essa é completamente impiedosa e encharca-me o cigarro que tento desesperadamente fumar mesmo por debaixo do capuz do impermeável.
Os canhões da infantaria Nazi que não pararam toda a noite continuam a cuspir fogo sobre as nossas linhas.
Já estamos habituados às crateras à nossa volta.
De repente o silêncio que é logo de imediato interrompido pelas sirenes de mergulho dos Stukas alemães que procuram destruir os nossos tanques.
As explosões sucedem-se e muitos dos nossos são atingidos, o metal retorcido começa a fumegar e sobre o metal partes de corpos começam a surgir.
De novo o silêncio, mas desta vez a espera é maior para depois ouvirmos os gritos.
Gritos de gente a correr e a berrar a plenos pulmões. As metralhadoras começam a matraquear os meus ouvidos. Corpos a cair.
É uma carnificina quem foi o louco que enviou estes Boches todos a correr para a morte?
Aqueles que passam a barreira de metralhadoras continuam a correr e a disparar as suas armas contra nós.
Enfiei-me debaixo do Sherman e vou esvaziando carregador atrás de carregador.
As pilhas de corpos retraçados pelas balas aumenta de segundo a segundo e o odor a sangue e carne queimada sufoca-me os pulmões.
À minha volta, soldados rezam outros moribundos rezam para Deus e proferem sempre a última palavra “ Mãe”.
De súbito a luta passa para dentro do nosso perímetro e as espingardas tornam-se ineficazes.
Somos forçados a agarrar as baionetas e a gritaria é agora maior embora eu já não distinga nada do que é dito torna-se tudo distante, a única preocupação é sobreviver a todo o custo.
Salto para a esquerda e encaro uns olhos azuis raiados de sangue, o brilho do metal alerta-me para a iminência da morte.
Grito a plenos pulmões e corro para aquele corpo cinzento que me traz a morte.
Puxo a baioneta para o peito do vulto e de imediato a minha mão é impedida de prosseguir por um pulso de ferro.
De imediato sinto metal a bater-me no corpo, por sorte parado pela fivela do meu cinto.
Ao desequilibrar-me com a força do golpe tive o discernimento de agarrar a gola do uniforme do soldado alemão.
Puxei-o com toda a força do meu ser e ouvi o estrondo da sua cabeça a embater contra as lagartas do Sherman.
Sem hesitar coloco-lhe a baioneta por debaixo das costelas e rodo-a. Um uivo de dor, e de repente uns olhos azuis a perderem o brilho.
O soldado alemão, que sentiu o beijo da morte coloca a mão dentro do casaco e dá-me uma fotografia com uma mulher e uma criança, por detrás tinha uma morada.
De repente um estrondo e vejo um clarão, o estampido de uma granada perto de mim retirou-me os sentidos.
Na cama do Hospital revivo os olhos azuis daquele que morreu às minhas mãos e na minha mão esquerda a fotografia com a reminiscência daquilo que outrora foi uma vida feliz.
Vou voltar para casa embora saiba que tenho a missão de devolver esta fotografia a alguém.
Numa guerra sem sentido e verdadeiramente animal encontrei a minha réstia de humanidade, a conduta pela qual todo e qualquer Homem se deveria de reger.
O amor incondicional à Vida. O ódio à Guerra e à Incompreensão.
Terça-feira, 24 de Janeiro de 2012
Domingo, 1 de Janeiro de 2012
Dragão Coragem
A mente alcança o inatingível fogo da essência.
Essa substância que foge por entre os dedos e que incendeia o coração.
Sinto nos ossos que o vento da mudança sopra gélido, sem no entanto extinguir a chama do amor à vida.
A centelha mantém-se e o corpo perdura por entre as brumas.
Para além delas ergue-se o castelo da minha resistência.
Dirigo-me para o bastião de inúmeras vitórias, envolto nas asas do Dragão.
A criatura mais fantástica dos meus sonhos de infância é agora o meu companheiro de vida e o símbolo da verdadeira coragem.
Viver é a derradeira prova de bravura.
Beijo as nuvens, persigo a lua, ilumino o meu ser abrindo o coração ao sol, sempre deitado no dorso do meu dragão.
Ao quebrar o elo com com o passado sorrio para o futuro.
A luz da esperança é objectivo ultimo de uma nova jornada.
Pelas asas do Dragão, vejo o verde das planícies longínquas e que as montanhas são alcançáveis e ultrapassáveis.
Pelos olhos do Dragão as estrelas cintilam, a fé é inigualável e condutora.
O brilho do futuro aconchega-me os sentidos e a essência cria a bolha protectora e tão sedutora que sempre desejei, como se de um ventre materno se tratasse.
Através do coração do Dragão sinto o rugir da justiça, da rectidão, da candura bem possível dentro do coração de qualquer humano.
Envolto nas asas do Dragão chegarei ao meu destino, tocarei o solo do meu castelo.
Com o meu Dragão Coragem, o futuro ciclo que hoje se inicia, embora repleto de agruras e armadilhas será o ciclo da realização, de ultrapassar os obstáculos e do renovar da Esperança.
O ciclo que desejo para mim e todos nós. Feliz Ano Novo.
Essa substância que foge por entre os dedos e que incendeia o coração.
Sinto nos ossos que o vento da mudança sopra gélido, sem no entanto extinguir a chama do amor à vida.
A centelha mantém-se e o corpo perdura por entre as brumas.
Para além delas ergue-se o castelo da minha resistência.
Dirigo-me para o bastião de inúmeras vitórias, envolto nas asas do Dragão.
A criatura mais fantástica dos meus sonhos de infância é agora o meu companheiro de vida e o símbolo da verdadeira coragem.
Viver é a derradeira prova de bravura.
Beijo as nuvens, persigo a lua, ilumino o meu ser abrindo o coração ao sol, sempre deitado no dorso do meu dragão.
Ao quebrar o elo com com o passado sorrio para o futuro.
A luz da esperança é objectivo ultimo de uma nova jornada.
Pelas asas do Dragão, vejo o verde das planícies longínquas e que as montanhas são alcançáveis e ultrapassáveis.
Pelos olhos do Dragão as estrelas cintilam, a fé é inigualável e condutora.
O brilho do futuro aconchega-me os sentidos e a essência cria a bolha protectora e tão sedutora que sempre desejei, como se de um ventre materno se tratasse.
Através do coração do Dragão sinto o rugir da justiça, da rectidão, da candura bem possível dentro do coração de qualquer humano.
Envolto nas asas do Dragão chegarei ao meu destino, tocarei o solo do meu castelo.
Com o meu Dragão Coragem, o futuro ciclo que hoje se inicia, embora repleto de agruras e armadilhas será o ciclo da realização, de ultrapassar os obstáculos e do renovar da Esperança.
O ciclo que desejo para mim e todos nós. Feliz Ano Novo.
Sábado, 3 de Dezembro de 2011
Inimigos
Sou o anjo negro que anseia por não o ser.
Desejo ser de luz e sinto que nada sou.
Apenas sinto que tudo o que faço e sinto é negro.
O inferno tem tentáculos que me sugam para as profundezas de uma escuridão sem precedentes.
Porque é que a vida não é simples?
Sinto-me o cavaleiro negro medieval que embora me guie por um código de honra talvez seja o código errado.
Por onde quer que vagueie verifico que vou sempre dar a um campo de batalha.
Já não quero combater mas o braço e o corpo não deixam que isso aconteça.
Será que é a alma e a mente que continuam sempre a batalhar mesmo em sonhos?
Quem sou afinal? Porque é que tudo em que toco se torna negro?
As sombras do passado perseguem-me, são fantasmas devoradores que me consomem a alma e a consciência.
Porque é que não vivo antes na luz como tanto almejo?
Luto contra tantos inimigos e nunca lhes vi o rosto, destruo e dizimo quem se aproxima do meu campo de batalha.
A verdade é que sempre lutei sozinho.
Luto contra um demónio escuro e forte que me arrasta para um fogo sem chama das gargantas de Hades.
Quero tanto ter uma armadura branca e outro código de Honra.
Nunca obtenho nada do campo de batalha, nem sequer o rosto de um inimigo, imagino que seja hediondo.
Um dia levantarei uma viseira e terei a coragem de contemplar quem me quer arrastar para o fundo.
O desespero para ser alguém para além de um Anjo negro é gigantesco e a luta dentro de mim é titânica.
Mais uma contenda que se aproxima e mais uma vez a minha velha armadura e corpo se embalam em mais uma dança de morte.
Por desdita sorte e num golpe arranco um elmo e vislumbro o rosto de um inimigo.
Atiro os joelhos por terra e choro as lágrimas arrancam-me a pele do rosto, verifico que o meu inimigo é imortal e sempre esteve presente em todas as batalhas.
Em todos os cadáveres o rosto é sempre o mesmo, o meu rosto.
Eu sou o meu próprio inimigo, o meu próprio demónio e o meu próprio carrasco.
Sou o meu anjo negro, afinal o campo de batalha sempre foi dentro de mim.
Apercebo-me agora que terei de rezar a Deus para que me traga para a sua luz e faça de mim aquilo que sempre quis e nunca soube como fazer porque eu sempre fui o meu pior inimigo.
Sábado, 1 de Outubro de 2011
Nas trincheiras da Vida
Sozinho na noite sinto as forcas da destruição a atacarem o meu espírito.
Sou assaltado como se de um soldado terrestre a ir de encontro a um poderoso tanque me tratasse.
Indefeso contra o peso das lagartas sinto a carne a ser devorada pelas engrenagens. Sou destruído a cada movimento. Sinto que sou a carne para canhão que a vida despreza. Mero peão no campo de batalha da vida sou o eterno derrotado.
Nunca quis lutar contra quem quer que fosse. Mas alguém me disse para pegar na carabina empunhar a baioneta e sair a carga. Não ensinaram a sobreviver apenas a brandir uma arma para vir a morrer. Gritei tanto pela paz apenas para me ser concedida a pérfida morte em batalha. Desdito e para sempre um desconhecido tombado algures num qualquer campo de batalha da nação a que chamamos vida.
Sozinho na escuridão oiço o ribombar dos canhões. Quer o destino que lute pela vida sozinho.
Peco a Deus aquela restea de fé que me faca enfrentar sem medo as agruras que me minam a alma.
Dar o salto de fé para alguma cratera de obus e ser o ultimo combatente, o moicano irredutível que se nega a desaparecer.
Recusando-me a ser mais um derrotado da vida, alcançarei a condecoração de bravura e vencerei aquilo a que chamamos vida.
Se a morte me quiser que ao menos viva a vida com coragem e bravura.
Segunda-feira, 27 de Junho de 2011
Nas asas do vento
De mão dada com o tempo, desloco-me nas asas do vento.
Sou o espectro dos erros que cometi, sem destino, sem esperança de ser salvo.
Não o desejo, antes o condenado do que o desdito.
Assumo destino no sopro do vento, quem sabe pousarei um dia no lar.
No imediato apenas existo nas brumas do tempo, sou a sua criatura oculta.
Os meus olhos são as sombras do infinito, porque a nada pertenço.
Sinto a inquietude no seio do meu coração.
A sensação do inconformismo latente dentro do peito.
Sentimentos embebidos na opiocidade de uma ideia de superiodidade deveras inexistente.
O conforto dormente de uma ideia preconcebida de alguém que sabe que no âmago de si mesmo não está em paz com o seu Deus e muito menos com os seus Demónios que o atormentam e que selvaticamente lhe dilaceram a carne e torturam a alma.
Apenas desejo a existência pura a candura de um sorriso.
Nas asas do vento anseio redimir-me do passado, abraçar o presente e deixar nas mãos de Deus o futuro.
Sou o espectro dos erros que cometi, sem destino, sem esperança de ser salvo.
Não o desejo, antes o condenado do que o desdito.
Assumo destino no sopro do vento, quem sabe pousarei um dia no lar.
No imediato apenas existo nas brumas do tempo, sou a sua criatura oculta.
Os meus olhos são as sombras do infinito, porque a nada pertenço.
Sinto a inquietude no seio do meu coração.
A sensação do inconformismo latente dentro do peito.
Sentimentos embebidos na opiocidade de uma ideia de superiodidade deveras inexistente.
O conforto dormente de uma ideia preconcebida de alguém que sabe que no âmago de si mesmo não está em paz com o seu Deus e muito menos com os seus Demónios que o atormentam e que selvaticamente lhe dilaceram a carne e torturam a alma.
Apenas desejo a existência pura a candura de um sorriso.
Nas asas do vento anseio redimir-me do passado, abraçar o presente e deixar nas mãos de Deus o futuro.
Terça-feira, 21 de Junho de 2011
Meu Grande Amor
Abro os olhos e contemplo o Dourado da perfeição.
Abraço todos os dias a bondade e espero ser contagiado por ela.
Contemplo a beleza e estendo as mãos para a agarrar.
Deambulo na imensidão da pureza transmitida pelos teus olhos.
Quis um dia tomar-te como minha, esqueci-me que a beleza não se toma, não se prende por entre os dedos de uma mão.
Apenas se oferece como o fizeste ao tocar-me na alma.
O coração esse é o músculo solitário que bate apenas num peito mas que se o fizer em simultâneo com outro alojado noutro peito tem o poder de fundir duas almas numa só.
No teu auto-sacrifício observo o altruísmo que um dia sonhei que seria capaz.
Gostava de ser perfeito e não ter fraquezas, ser aquele que em todo o momento reconhece quem tem ao lado.
Se ao menos fosse como mereces. Agarrava o céu para to oferecer.
Sou um mero homem que um dia foi abençoado pelo toque de uma Deusa.
Se ao menos fosse dotado para te transmitir o amor que mereces, dotado para convocar os elementos e trazer-tos aos teus pés.
As palavras essas são fáceis de conjugar. Rogo aos Deuses para conseguir uma ode em actos que te façam reconhecer o meu amor.
Porque um gesto teu, um sorriso teu é capaz de me transformar.
Cada movimento teu amansa a fera que me domina.
O teu nome é poder, os teus movimentos encantam as serpentes dos meus domínios e tornam-nas inofensivas.
Esmagado pela tua beleza, pela tua essência sou e serei para sempre o eterno enamorado e peço a todos aqueles que outrora tombaram por amor, que se unam a mim, me impregnem da força para ser um campeão e fazer saber ao mundo que amar vale a pena.
Enfeitiçado por ti, sou o ser que vive debaixo do sol da felicidade.
Abençoado no dia em que te fizeste minha mulher.
Etiquetas:
Para quem eu mais amo
| Reacções: |
Segunda-feira, 13 de Junho de 2011
Poder do Sonho
Sei como te sentes, sorris para a sepultura.
Pode ser o fim, o fim do corpo, mas nunca o fim do sonho que vives.
Sentes nos ossos a força que te impele.
As luzes das ruas iluminam as lápides, quem sabe a tua.
Agarras-te ao sonho, à tua essência e sabes que a luta é aquela que determinas.
Luta por quem és, pelo que anseias, o fim pode sempre ser adiado, se viveres esse sonho.
Vem para a estrada, finca o pé e percorre-a com toda a força, faz dela a tua fiel companheira.
Cerra os punhos e os dentes, faz da tua garra o veículo para vencer os adasmastores que te atormentam.
Quero ver-te gritar, forçar o destino a respeitar-te.
Peço-te o rugido, aquele tão característico da fera que vence.
Sabes que só tens uma oportunidade, prepara-te, a contenda será tua.
És o campeão da justiça.
Não deixes escapar o teu propósito, sabes que só tens uma uma vida e um mundo para abraçar.
Torna a velocidade a tua aliada, voa com o vento.
És forte porque sonhas, compreendes o poder do sonho.
Por agora, comtemplaste a tua sepultura, sabes que não é o teu tempo.
Com a força da tua alma farás o que te falta fazer, escrever a tua lápide com a realização do sonho que vives e viverás.
Subscrever:
Mensagens (Atom)
