quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Valhalla

Amigo de todos os tempos, eis que a vil e cruel morte finalmente nos alcança.
Embala-te nos seus braços cadavéricos, retira-te a alma do corpo e separa-nos.
Sentimento de profunda raiva gerado pela impotência.
Queria agarrar o teu espírito e prende-lo ao teu corpo, às tuas algemas carnais, manter-te entre nós.
Somos meros mortais presos a carcaças geneticamente desenvolvidas pela mão divina em forma de castigo.
Se ao menos eu fosse espírito para lutar contra esse espectro fantasmagórico chamado morte.
Sou egoísta, compreendo agora que a tua amizade única era um diamante na minha vida e que gananciosamente queria tanto manter.
Cubro a minha alma do mais solene sentimento, recalco a dor angustiante da perda de um amigo, que mesmo tantas vezes em silêncio me agraciava com a energia deslumbrante do seu ser.
Agora que a tua chama se extingue diante dos meus olhos, sei que a tua energia não me abandonará e jamais deixará este mundo.
Vives para sempre no meu coração e a tua recordação prevalecerá para todo o sempre.
O silêncio e o vazio perdurarão a tua essência para sempre gravada dentro de mim.
Os Deuses tão cruéis que enviaram tão andrajoso emissário não me retiram a memória.
Viverei contigo a meu lado e a minha vida será uma ode sublime aos laços da amizade.
Os teus olhos mesmo no final são de uma inocência estonteante.
Viver para desaparecer é o nosso destino.
Por isso, adeus meu fiel amigo, mas até breve e até ao nosso reencontro no vale de Valhalla.

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