domingo, 29 de novembro de 2009

Crepúsculo

No crepúsculo sento-me sozinho observo o relógio.
Engano os meus demónios.
Regulo-me pelo bater do coração.
Tudo o que perdi, tudo o consegui visto entre um simples pestanejar.
Entre o bater das ondas nas rochas, diluo a minha essência.
Destino-me a um bem superior.
Perder-me nas brumas do teu espírito.
Beijar o teu horizonte.
Arranco o calor ao mar.
Penetro de braços abertos na imensidão azul, fecho os olhos.
Deixo-me ir ao fundo, sinto o peso da água a inercia do meu corpo.
Sustenho a respiração chego ao fundo.
Sou arrastado para areia deixo-me ficar de braços bem abertos.
Deixo-me ficar, beijado pela espuma, iluminado pela lua.
Renego o que perdi sinto-me vivo.
Quero voar, dar-te a mão sair deste mundo.
Aqui sozinho sinto o bater do coração novamente, embora agora ao ritmo do mar.
As vozes que ecoam dentro de mim gritam por luta.
Batalhar pela vida , por nós.
Projecto o meu pensamento nas estrelas.
Falo com o vento, retiro dele a força intempestiva.
Varro a insegurança da alma, liberto as grilhetas de fantasmas passados.
Dei ao mundo o meu espírito e continuarei a empurrar os meus demónios para a derrota.
Arranco a dor de dentro de mim.
Aqui deitado entrelaço os meus sonhos nos teus e sei que neste mundo onde mais nada é verdadeiro, sou teu.
Regenerei-me na vastidão do mar e do vento.
Grito pela vontade de vencer a plenos pulmões.
Suspiro de leve para te fazer eternamente feliz.

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