sábado, 26 de dezembro de 2009

Caçador

Abro os olhos, finalmente a noite.
Sou filho da noite, nascido do ventre de uma mãe enfeitiçada.
Rezo ao meu Deus.
Abençoado pelas criaturas da noite.
Esta é minha noite, a noite do caçador.
Sou os olhos do predador, escondo-me por entre as brumas.
O meu corpo é dotado para adquirir a presa.
Por entre a névoa ataco sem ter piedade, sou para o que nasci.
Sou o feitiço entoado por druidas.
A eterna sombra que segue quem se aventura na alvorada.
Não te aproximes de mim destruirei o teu coração.
Destruirei o que pensas ser, mostrar-te-ei o teu interior, absorverei a tua alma.
Sou aquele que em sonhos te faz acordar em suor.
Não tenhas medo da noite, fecha os olhos.
Dá a mão à escuridão.
Percorre confiante a noite, seguir-te-ei.
Salva-me, do meu destino.
Condenado a ser o eterno caçador das trevas, temido por demónios.
Destemido caçador de almas, condenado.
Sou aquela criatura formidável cujos olhos verdes cintilam no escuro.
Destinado a ser o ser cruel que um dia será salvo por quem não tenha medo de se aventurar no escuro.
Por isso vem, dá a mão à noite salva-me.
Esta é a noite do caçador, aquele predador implacável das trevas, destinado a ser salvo por ti.
Pelo teu amor, pela tua alma.
Sou aquele que te pode destruir, mas se por ti for salvo.
Amar-te-á para todo o sempre como na luz.
Transformado de caçador das trevas em ser de luz pela pureza do teu ser.

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