segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Deusa, Mãe, Terra

Nos teus braços me abandono, em cada recanto a minha alma se dilui na tua.

Intoxicado pelas ideias humanas de que sou senhor de ti à muito entendi que é de ti que venho.

Vivo no teu seio mãe e senhora da minha existência.

Em cada golfada de ar sei que apenas a ti o devo.

Nos oceanos por onde vagueia o meu pensamento abraço a minha pequenez.

Até o sorriso de uma criança de ti advém.

O fogo que tanto canto em cada texto, tem origem nas tuas entranhas.

Maltratada pelos teus filhos que apenas vêem em ti interesses económicos, mesmo assim abraças e acolhes a humanidade.

As tuas lágrimas por florestas destruídas são continuamente desprezadas.

O verde da tua alma é do mais maravilhoso que nos acompanha.

És o espírito que nos une.

Dás guarida a uma raça destruidora dos teus mais queridos filhos.

Ninguém espera a tua vingança cruel, embora todos saibamos da sua inevitabilidade.

Raça desdita que sabe que caminha a passos largos para a destruição e mesmo assim persiste em te ferir.

Mãe que choras por mim e por todos nós, ergo a minha voz para te fazer jus e pedir perdão pelas ofensas por nós cometidas, uns por pura ignorância das consequências, outros pelo comodismo ligado ao progresso.

O progresso, aquele palavrão que na realidade significa o abandono do elo contigo e o caminho da destruição.

Destroem-se culturas, civilizações, espécies, e tu, mãe, continuas a sangrar em abundância.

Para quando o retorno às origens?

Quando deixaremos de ter dentro de nós o gérmen da nossa própria destruição?

Como é possível um ser que se afirma tão inteligente ser capaz de tamanho acto de ignorância?

Sou teu filho e em cada ser que criaste encontro a perfeição.

Deusa, Mãe, Terra.

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