quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Solidão

O vazio é tão real.  
Sem nunca ter paz de espírito, olhos vazios.
Moves-te sozinho no meio da multidão.
Vives em plena solidão acompanhado.
Encontras um verdadeiro estranho dentro de ti.
Mecanicamente ergues o corpo e segues para o meio dos semblantes vazios que todos os dias reconheces.
Solitário dentro da tua pele não te consegues evadir, cais no abismo dos teus pensamentos e tal como os demais fechas o semblante.
Encontras o vazio do ar, evitas o olhar.
Procuras estender as mãos para o que te rodeia.  
Não distingues a realidade, nem imaginas onde pertences.
Espelho da verdadeira solidão, escondes quem és.
A tua alma vazia divaga entre pensamentos repletos dos sorrisos que não alcanças.
No meio dos outros sufocas sem ninguém.
Magoado outrora agora és plenamente incapaz de te dar novamente,
Acostumado a ser taciturno nada fazes para te integrares, sofres do grande mal social, a solidão,
Entre as ruas da vida o teu olhar não distingue o calor humano.
Vives no anonimato sabendo que se o teu corpo perder a vida ninguém dará por isso.
A realidade retira-te o ar dos pulmões, sabes o que é não ter ninguém.
Toda uma vida a construir um ideal, presentemente apenas olhas para as paredes nuas que te rodeiam.
Contribuíste com a tua maior dádiva para a sociedade, a tua vida, deste alma a alguém.
Só e com a amargura da solidão e com os cabelos grisalhos marcados pelo alcançar do tempo recordas as gargalhadas das crianças, que agora como adultos perderam o tempo para correr para ti.
A vida ainda não te retirou o vigor e por isso ainda sentes mais o peso do vazio que te oprime o peito.
Assombram-te os planos que traçaste com a companhia de alguém e que o destino te retirou precocemente.
És esmagado pelo peso da sociedade que é injusta e te abandona por entre as ruelas do destino.
A frieza da vida relega-te para a crueldade da vida sem calor humano.
Manta de retalhos. de factos da vida, com milhares de histórias para partilhar, a voz morre-te dentro da garganta, ninguém ouvirá.
Enciclopédia de experiência, sabes que a tua caneta não irá preencher as páginas de outro ser humano.
Pela injustiça da sociedade sabes que irás abandonar a vida sem agarrar uma mão humana.
Membro activo que suportou a sociedade, no presente um peso, um obstáculo que rostos vazios que um dia irão possivelmente sofrer o mesmo destino, contornam.
Expresso apenas o profundo desejo que um dia um dos teus pares te descubra, te dê novo sentido, te renove.
Que o brilho volte a uns olhos baços e sem vida pela força de uma solidão injusta.
A solidão no meio da multidão.

1 comentário:

  1. A perpétua luta do ser social insociável , pode ser vivida com angústia ou prazer...

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