quinta-feira, 15 de abril de 2010

Libertação

Cercado pelas muralhas que outrora me protegeram, sinto que me sufocam.
Olho para o passado, sou forçado a olhar para dentro.
Espelhos partidos pintam o chão, em que pedaço me encontro?
Respiro para o céu, deixo a luz acariciar-me o rosto.
Debaixo do sol planeio sair do conforto das grilhetas impostas, solto-me e abro os braços.
Anseio pela liberdade, sentimento taciturno de alguém que apenas lhe sente o verdadeiro sabor.
Incendeio o meu leito, faço dele o archote que me irá guiar na noite escura que se avizinha.
Guardo dentro do coração os meus mais profundos receios e visto a reluzente armadura, legado genético de um guerreiro.
Trepo as muralhas e lanço-me no perfeito desconhecido, se ao menos tivesse a certeza do sucesso.
Procuro a glória para mim e para a minha nação, trago gravado no escudo as armas do meu clã e não me esqueço do sinal no meu Deus no curto estandarte que carrego.
A travessia do inóspito território que me cerca avizinha-se tremendamente dura, confio na fé e no amor profundo.
Finalmente, pretendo o que é meu por direito a luta pela glória, pela honra, pelo amor verdadeiro.
Não me nego a lutar pelo direito a ser livre e pela minha nação.
Com as armas sempre prontas, serei o incansável guerreiro conquistador de uma vida justa.
Espero pelo momento de paz, sem grilhetas, sem muralhas e de espelhos intactos.
Se por isso tiver de lutar que assim seja, se por isso tiver de morrer, aceito, pelo menos serei livre.
Ao menos que deixe à minha nação, ao meu clã, ao meu profundo amor, um próspero território sem muralhas onde possam viver em paz.
Amar e serem amados.

1 comentário:

  1. Mor, leio vezes sem conta esta tua obra que além de a considerar Divinal, é sem dúvida um dos teus mais belos registos.
    És Grande na forma como escreves , és Grande enquanto Homem, és Grande de Alma e Coração...e é Grande a minha admiração por ti.
    LU more than ever and forever.

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