domingo, 23 de maio de 2010

Éter

Debaixo da minha pele, sufoco, desapareço lentamente.
Caminho pelo vale dos mortos, de braços abertos.
Na lentidão dos meus passos rogo para que me libertes.
Tudo termina o ar abandona os meus pulmões, dei tudo ao mundo.
Fui soldado, um mero peão nas contas da vida.
Abraço o fim, renego as cordas que me prendem às raízes do que fui.
Observo os anjos ao fundo das trevas, luz que tanto me seduz.
As memórias que me acompanham rogo para que me deixem.
Anseio por deixar tudo para trás, reunir-me aos anjos.
Viver por entre a luz, abandonar a escuridão que me persegue.
Deixei-me consumir pelo fogo explosivo de uma vida que se extingue com toda a brevidade.
Agora com a leveza do espírito, sem o peso do ar, parto para nova existência.
Desejo que a minha vida passada se mantenha bem presente dentro da minha mente, para que saiba um dia reconhecer o caminho que não pretendo.
No meio dos Anjos e com eles pela mão, reuno-me a Deus.
Reabilitarei a alma no éter pleno da consciência.
Aguardo nova missão pelos longos e tortuosos caminhos da vida.
Desempenhei o meu papel na vida que tive e convivo com os erros que cometi.
Aprendi com eles, jamais se repetirão.
Para já abraço o éter.

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