quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Regresso do Lobo


Mais uma noite solitária, debaixo dos neons da cidade.
Perdido nos mil rostos que se apresentam, nas mil vidas que se desenrolam.
Sem rumo ao certo, sinto o ar gélido a beijar-me o rosto, sinto o corpo a reagir.
Viajo por entre as sombras, tantos estranhos, nada muda.
Os sentimentos esses cessaram à muito, pago o preço pelos erros cometidos.
Apenas resta a dor, a dor de algo que já não me recordo.
Respiro a noite, absorvo as criaturas gélidas que por ela deambulam.
Aguardo, pelo amanhã e pela luz do dia que me fere como uma lança.
Sou o ser descrente que se move nas massas que em nada se parece que se movam com propósito.
Esmagado pela vida, pelo peso dos meus demónios sou o ser que se rege pela luz da lua.
Há muito que neguei os Deuses e que não lhes rogo por mim, por mais alguém.
Comungo com o lobo o meu destino, dou a mão ao frio da noite pela qual clamo.
Sou o ser desprovido de si próprio porque sempre negou as suas origens.
Na realidade sou o lobo a quem dou a mão.
Na penumbra da noite perscruto o caminho a tomar e descubro que se fechar os olhos já o sei, sempre o soube.
Sou o predador, sou o lobo.
Sou o espírito que povoa a tua imaginação que viaja por entre os teus sonhos com presas formidáveis.
Para sempre a tua essência fiel que caça, ataca e retraça tudo aquilo que ameaça aquilo que sempre almejei.
Solitário na noite da vida, no inverno mais duro perco-me, mas se fechar os olhos, o caminho para ti é para a minha presa.
Rasgo-te o peito, toco o teu coração e faço-te sentir.
Far-te-ei sentir o meu hálito, o meu corpo, serei para todo o sempre a tua criatura da noite.
Com a lua como minha companheira irei colonizar a tua imaginação, aquele que irá beber dos teus lábios, arrancar-te às garras das convenções.
Sou o lobo faminto que se alimentará da tua carne, da tua libido, do calor do teu corpo.
Usarei os teus sonhos, farei deles o meu território de caça.
Farei o teu sangue ferver, levar-te-ei também a chamar pela noite.
Chegarei todas as noites, e em cada uma delas, farei aquilo para que nasci, reclamar o teu coração, a tua alma, o teu corpo, fazer-te minha.
Sou o que sempre fui, o predador do teu coração.

1 comentário:

  1. Característicamente teu! Reconheceria mesmo que não tivesse a tua assinatura ;). A crítica q te fiz, tu sabes o porquê, tb percebi as tuas razões! Espero de ti cada vez mais e melhor. Regressa em Grande! LU so!

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