sábado, 25 de fevereiro de 2012

Evidência Solene

Inclino-me perante a evidência solene do fim.
O fim destinado pelo conselho dos Deuses força-me o espírito a terminar as etapas dolorosas a que me propus.
Estendo a mão para o infinito e toco ao de leve no infinito, naquela incerteza pacifica de quem chega ao fim.
Paro, cheiro o doce aroma de rosas e preparo-me para colher uma nova flor.
O fim é certo, mas o alivio do mesmo torna-se supremo alicerçado pela certeza de um novo amanhecer mais terno e pacífico.
Encaro a realidade sem dor, porque apenas almejo o fim pacifico de algo que nunca mas nunca se iniciou.
A finalidade é por demais evidente, dar a mão ao destino e saber que os deuses são e serão benevolentes.
Os ciclos fecham-se como janelas para que a autenticidade do ar que respiro dentro do  lar, da alma se mantenha para todo sempre.
Dentro do meu templo apenas guardo a ternura pelas memórias que seguramente levarei para todo o sempre junto ao peito.
Digo adeus com um sorriso, coberto pelo misto de tristeza e de profundo alívio sabendo que a jornada que em tempos empreendi sempre esteve votada ao mais profundo fracasso.
Entrego a mortalha aos Deuses, ajoelho-me e rezo faça-se em mim a vontade divina e aguardarei pelo futuro serenamente.

1 comentário:

  1. Por vezes, devemos pegar no futuro e virá-lo do avesso, baralhá-lo, mascará-lo, viver intensamente o minuto, sossegar o desassossego da alma e abraçá-la, simplesmente...beijinhos

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